A sobremesa é a área do menu mais afetada pelo chamado "efeito Mounjaro", como mostra levantamento feito pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) e publicado com exclusividade pelo Caderno Paladar.
Um em cada cinco restaurantes vê queda acentuada de doces
A pesquisa foi conduzida com 1.417 estabelecimentos do setor gastronômico. Os resultados:
- 65% registraram mudanças nos pedidos de sobremesas.
- Um em cada cinco relatou queda acentuada nos pedidos de doces.
- 56% apontaram diminuição nos pedidos de pratos principais.
- 53% observaram alterações em bebidas, com tendência de aumento dos drinques sem álcool.
O comportamento, segundo os responsáveis pela análise, é resultado da disseminação dos medicamentos usados para emagrecimento — que exigem acompanhamento e indicação médica e seguem no alvo da fiscalização e da regulamentação sanitária.
"Um sorvete para cinco colheres"
Mais do que o fim das sobremesas, o que se vê é uma mudança de comportamento à mesa. Segundo chefs e clientes ouvidos pela reportagem, a principal alteração é o compartilhamento — na linha do "um sorvete para cinco colheres".
Outra tendência é a oferta de porções menores, como já planeja a chef Carole Crema em sua loja, e o investimento em experiências atreladas ao pedido, conforme sugere o presidente da Abrasel.
Confeitaria premium segue em alta
Na confeitaria mais premium e em lojas de rua, a leitura é diferente. Para chefs e confeiteiros como Lucas Corazza, a aposta é em aumento de consumo: a relação com o doce é modificada, mas não excluída.
Uma sondagem interna da Lindt mostra, por exemplo, que entre usuários dessa classe de medicamentos houve crescimento de 17% no consumo dos chocolates mais nobres da marca.
Mais leves, mais proteínas, mais mocktails
Além do impacto nas sobremesas, outras tendências aparecem com força:
- Aumento da oferta e do consumo de proteínas, grupo alimentar mais procurado por quem deseja emagrecer.
- Pratos "mais leves" — saladas, pokes e peixes — registraram alta de 70% na demanda em bares e restaurantes, segundo a Abrasel.
- Sucos funcionais e mocktails (drinques sem álcool) ganham espaço no cardápio.
O que isso significa para o operador
Para bares e restaurantes, o recado é objetivo: revisar engenharia de cardápio. Reduzir desperdício em itens com queda consistente de saída, criar versões compartilháveis e em porções menores, ampliar opções leves e proteicas e desenvolver uma carta de não-alcoólicos com margem competitiva são movimentos que ajudam a sustentar ticket médio em um cenário de consumo em transformação.
Fonte: Canal Restaurante, com apuração original do Caderno Paladar / Estadão e dados da Abrasel. Publicado em 17/06/2026.
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