As Smartmitas, linha de refeições completas sem conservantes da Intelligent Foods, chegaram em junho a 42 lojas da rede OXXO, espalhadas em quatro cidades de São Paulo, incluindo a capital. Embora os pratos dispensem refrigeração graças a uma tecnologia própria de esterilização térmica, foram posicionados estrategicamente nas gôndolas frias (Grab&Go) por uma questão de comportamento de consumo — é o local onde o consumidor já está habituado a buscar refeições prontas. O projeto piloto começou com quatro sabores, com destaque para o pernil, um dos mais vendidos, e a meta é expandir para seis opções no segundo semestre, incluindo uma feijoada.

A parceria com a rede de conveniência não foi construída da noite para o dia: a OXXO já conhecia a startup desde a época em que ela operava apenas como laboratório de Pesquisa e Desenvolvimento, e a entrada nas gôndolas exigiu aproximadamente nove meses de negociação.
O snack de frango que chega em setembro
A foodtech, fundada em São Caetano do Sul (SP), também prepara o lançamento oficial para setembro do NoBars, um filé de peito de frango temperado com ingredientes naturais, pronto para consumo e sem necessidade de refrigeração. É o primeiro produto do grupo desenvolvido em parceria com um sócio externo — o frigorífico Comercial Alimentos Talismã, empresa familiar tradicional no mercado de proteína. O projeto exigiu infraestrutura nova construída do zero, com produção instalada em Socorro (SP) e investimento inicial de US$ 1 milhão (cerca de R$ 5,1 milhões).

O produto contém 35g de proteína e será comercializado inicialmente via e-commerce, por um preço estimado em torno de R$ 20, nos sabores Lemon Pepper, original e italiano. Segundo Jonas Freitas, sócio-investidor da Intelligent Foods e cofundador do projeto NoBars, o produto não nasceu para atender a um nicho específico: a intenção é que qualquer perfil de consumidor possa integrá-lo à rotina, do jeito que preferir.
A tecnologia por trás da conservação sem geladeira
De acordo com Flávia Murgel, 54 anos, sócia e CEO da Intelligent Foods, o objetivo da empresa é promover a democratização da comida real, rompendo o paradigma de que alimento saudável e alimento durável são excludentes. A tecnologia de esterilização térmica combina calor e pressão para eliminar microrganismos e bactérias sem uso de conservantes químicos, garantindo estabilidade em temperatura ambiente.
A lógica é distinta do congelamento: quando um alimento é congelado, a carga bacteriana fica apenas adormecida, podendo causar deterioração após o descongelamento. Na esterilização, o alimento não depende da cadeia do frio e não sofre contaminação enquanto a embalagem permanecer intacta. Essa tecnologia já foi validada em mais de 100 produtos, entre refeições completas, proteínas, sopas, molhos, snacks e bebidas.
A inovação também exigiu que a empresa passasse a importar embalagens tripartidas específicas, essenciais para garantir a segurança alimentar do produto — parte inseparável do processo de conservação, segundo a executiva.
As Smartmitas garantem seis meses de prateleira; para o NoBars, a projeção é expandir a validade para 12 meses.
Impacto de custo para o varejo
Segundo a empresa, o modelo gera economia de 35% a 40% nos custos operacionais e logísticos para o varejo, além de reduzir o desperdício de alimentos. O impacto vai além do bolso do lojista: a tecnologia permite levar alimentos de qualidade a regiões onde a logística refrigerada é cara ou inviável — um dos objetivos pessoais declarados pela fundadora, voltado a comunidades com acesso limitado a nutrição de qualidade.
Estrutura e projeções

Com uma equipe interna de seis pessoas em São Caetano do Sul — entre profissionais de química, finanças e direito —, a Intelligent Foods movimenta cerca de 80 colaboradores quando somadas a estrutura de Socorro e as cozinhas parceiras. A operação é 100% independente, sem aporte de fundos de investimento ou investidores externos, e a empresa planeja estruturar um conselho administrativo profissional no próximo semestre.
Para os próximos 12 meses, a expectativa de faturamento com a operação consolidada na OXXO é de R$ 5 milhões. Para a linha NoBars, a projeção no primeiro ano é de R$ 6 milhões, com potencial de triplicar ou quadruplicar essa receita ao utilizar a capacidade total da planta industrial de Socorro. A previsão de break-even é de dois anos.
O modelo de negócios seguirá híbrido no longo prazo: foco no varejo físico e digital com Smartmitas e NoBars, e contratos sob demanda para o mercado corporativo — hospitais, escolas e defesa civil, através da marca ProntoFood, além de eventos e hospitalidade via marca Ahoz.
O que isso significa para o varejo alimentar e o food service
O caso da Intelligent Foods ilustra uma tendência que vai além do produto em si: a busca por soluções que reduzam dependência de cadeia de frio tem impacto direto na estrutura de custo logístico de quem vende alimentos prontos, seja em loja de conveniência, seja em food service.
Para operadores que avaliam expandir o mix de produtos prontos para consumo — inclusive como complemento de cardápio ou revenda em balcão — o ganho relatado de 35% a 40% em custos operacionais e logísticos reforça um ponto recorrente no setor: tecnologia aplicada à cadeia produtiva tem efeito direto na rentabilidade do ponto de venda, não apenas na experiência do cliente final. Rastrear esse tipo de produto no estoque, com validade estendida e sem as exigências de refrigeração, também simplifica o controle de inventário quando o sistema de gestão do estabelecimento está preparado para esse tipo de SKU.
Fonte: PEGN (Globo) — Startup brasileira leva marmita sem geladeira à OXXO e anuncia snack de frango proteico, por Victória Miranda — 06/07/2026.
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