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Keeta gastou apenas 10% dos R$ 5,6 bilhões reservados para o Brasil

Segundo o vice-presidente da empresa no país, a companhia mantém o ritmo de investimento propositalmente contido, priorizando rentabilidade nas praças já ativas antes de acelerar o gasto do restante do capital disponível.

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A Keeta, braço de delivery do gigante chinês Meituan, sinalizou que ainda tem munição de sobra para sustentar sua ofensiva contra a liderança do iFood no Brasil. Dos R$ 5,6 bilhões anunciados para investimento ao longo de cinco anos, a empresa usou apenas 10% até o momento — um ritmo deliberadamente contido, direcionado a consolidar a rentabilidade das praças onde já opera antes de acelerar o restante do aporte.

A informação foi divulgada pela coluna de Negócios da Veja, em reportagem assinada por Machado da Costa. Segundo o vice-presidente da Keeta no Brasil, Danilo Mansano, a companhia tem pago multas contratuais de restaurantes presos a cláusulas restritivas de exclusividade com o iFood, como forma de reduzir o atrito para que esses estabelecimentos migrem ou passem a operar também com a plataforma chinesa — um custo que a empresa assume caso a caso para acelerar a adesão de parceiros.

O tamanho do investimento em perspectiva

O valor de R$ 5,6 bilhões colocou a chegada da Keeta entre os movimentos mais ambiciosos já vistos no delivery brasileiro. Para efeito de comparação, a 99Food, controlada pela chinesa Didi Global, relançou sua operação no país com aporte inicial estimado entre R$ 1 bilhão e R$ 2 bilhões, enquanto a colombiana Rappi anunciou investimento de R$ 1,4 bilhão para ampliar sua atuação e base logística. Já o próprio iFood, líder do setor com participação estimada acima de 80% do mercado brasileiro de delivery de alimentos, reforçou o investimento defensivo com aportes bilionários para manter a posição.

O plano da Keeta prevê expansão progressiva das operações no país até 2030, com meta de alcançar cerca de mil cidades brasileiras, construção de uma central de atendimento no Nordeste e ampliação da rede de entregadores parceiros. A disputa entre Keeta e 99Food já chegou à Justiça, com acusações mútuas envolvendo uso de identidade visual semelhante e tentativas de barrar a entrada de concorrentes por meio de contratos de exclusividade com restaurantes.

O que isso significa para o food service brasileiro

A revelação de que a Keeta guarda quase 90% do capital reservado para o Brasil é um sinal de que a disputa pelo mercado de delivery está longe de esfriar — e que o comportamento agressivo em relação a comissões, subsídios e captação de restaurantes tende a se intensificar nos próximos anos, não a se acomodar.

Para operadores de food service, esse cenário de multiplicação de plataformas concorrentes reforça um ponto prático: quanto mais aplicativos de delivery disputam espaço na cidade, maior a complexidade de gerenciar cardápio, preço e disponibilidade em cada canal simultaneamente. Restaurantes que dependem de atualização manual em múltiplos aplicativos ficam mais expostos a erros de preço, item fora de estoque não sincronizado e inconsistência de cardápio entre plataformas — exatamente o tipo de falha operacional que um sistema de gestão com integração nativa a múltiplos apps de delivery existe para eliminar.


Fonte: Veja Negócios — Keeta só gastou 10% dos R$ 5,6 bilhões disponíveis para o Brasil, por Machado da Costa — 03/07/2026.

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